{"id":15686,"date":"2025-04-01T09:43:50","date_gmt":"2025-04-01T12:43:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/?p=15686"},"modified":"2025-04-01T09:44:08","modified_gmt":"2025-04-01T12:44:08","slug":"petrobras-comprara-r-450-milhoes-em-creditos-de-carbono-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/petrobras-comprara-r-450-milhoes-em-creditos-de-carbono-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Petrobras comprar\u00e1 R$ 450 milh\u00f5es em cr\u00e9ditos de carbono na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p>Uma parceria entre a Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) pretende criar um mercado de ao menos R$ 450 milh\u00f5es em cr\u00e9dito de carbono, com o objetivo espec\u00edfico de restaura\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O protocolo de inten\u00e7\u00e3o entre as duas institui\u00e7\u00f5es foi assinado nesta segunda-feira (31) na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, entre os presidentes da companhia, Magda Chambriard, e do BNDES, Aloizio Mercadante. A iniciativa recebeu o nome ProFloresta+.<\/p>\n<p>O valor inicial de R$ 450 milh\u00f5es corresponde ao que a Petrobras vai desembolsar comprando os cr\u00e9ditos de carbono. O BNDES ter\u00e1 o papel de conceder empr\u00e9stimos para projetos que se dediquem ao restauro de \u00e1reas amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p>O empr\u00e9stimo \u00e9 com recursos do Fundo Clima, em que a taxa de juros \u00e9 de 1% ao ano. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, a taxa b\u00e1sica de juros do pa\u00eds, a Selic, que serve de par\u00e2metro para opera\u00e7\u00f5es de empr\u00e9stimos, est\u00e1 em 14,25% ao ano.<\/p>\n<p>O BNDES \u00e9 um banco p\u00fablico ligado ao Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os e atua no fomento de iniciativas de desenvolvimento, muitas vezes financiando projetos com juros mais em conta.<\/p>\n<h3>25 milh\u00f5es de \u00e1rvores plantadas<\/h3>\n<p><br \/>Os R$ 450 milh\u00f5es iniciais s\u00e3o destinados a projetos de restaura\u00e7\u00e3o de, no m\u00ednimo, 3 mil hectares. A Petrobras busca apoiar cinco projetos, totalizando 15 mil hectares e contrata\u00e7\u00e3o de 5 milh\u00f5es de cr\u00e9ditos de carbono. Isso representa cerca de 25 milh\u00f5es de \u00e1rvores plantadas. Na estimativa da empresa, os projetos representar\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o de 1,7 mil empregos.<\/p>\n<p>Para a presidente da empresa, o lan\u00e7amento do programa \u00e9 &#8220;prova viva&#8221; da preocupa\u00e7\u00e3o da Petrobras com o meio ambiente.<\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 um compromisso com o povo que acredita que somos capazes de entregar o que eles desejam, que \u00e9 um mundo mais limpo, mundo mais ameno para nossos filhos e netos&#8221;<\/em>, disse.<\/p>\n<p>Para Magda Chambriard, trata-se de uma iniciativa de muito audaciosa. <em>\u201cEstamos falando de uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o verde. Isso \u00e9 um projeto estruturante em prol do clima\u201d<\/em>, acrescentou.<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o do ProFloresta+, a Petrobras estimou que, em 25 anos, o projeto pode chegar a 50 mil hectares (500 km\u00b2), \u00e1rea maior que a cidade de Curitiba (435 km\u00b2), com investimento de R$ 1,5 bilh\u00e3o, capturando cerca de 15 milh\u00f5es de toneladas de carbono (equivalente ao emitido anualmente por 8,94 milh\u00f5es de carros movidos a gasolina).<\/p>\n<p>O ProFloresta+ trabalha com prazo de 25 anos. At\u00e9 28 de abril, empresas e interessados podem enviar contribui\u00e7\u00f5es. O edital de licita\u00e7\u00e3o de compra dos cr\u00e9ditos de carbono est\u00e1 marcado para julho de 2025. Empresas interessadas precisam se manifestar por meio deste e-mail.<\/p>\n<h3>Agenda ambiental<\/h3>\n<p><br \/>Aloizio Mercadante citou danos ambientais provocados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no pa\u00eds e no mundo, como as chuvas no Rio Grande do Sul, h\u00e1 quase um ano, e a maior seca na Regi\u00e3o Norte em 121 anos, para pedir protagonismo no Brasil no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>Para o presidente do BNDES, o Brasil tem que \u201cliderar a agenda ambiental\u201d e fazer da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1tica (COP30), a ser realizada em novembro, em Bel\u00e9m, \u201cum ponto de inflex\u00e3o, de reflex\u00e3o e de uma agenda de compromisso mais ambiciosa para enfrentar o aquecimento global e a crise clim\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p><em>\u201cPlantar \u00e1rvore \u00e9 uma resposta decisiva para enfrentar a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica\u201d<\/em>, ressaltou.<\/p>\n<p>O BNDES apoia outras iniciativas para manter a floresta em p\u00e9, mas o programa lan\u00e7ado nesta segunda-feira \u00e9 espec\u00edfico para restaura\u00e7\u00e3o e aumento da cobertura vegetal nativa.<\/p>\n<h3>Revolu\u00e7\u00e3o verde<\/h3>\n<p><br \/>Petroleira e banco apontam a iniciativa como uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d no mercado de carbono, fazendo com que a demanda (interesse de compra) seja indutora do interesse de projetos ambientais, inclusive atuando na forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e criando par\u00e2metros que sejam replicados em outros projetos.<\/p>\n<p>Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, at\u00e9 agora, interessados em fazer restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas n\u00e3o tinham garantia de financiamento, nem de compradores do cr\u00e9dito de carbono.<\/p>\n<p><em>\u201cO que n\u00f3s estamos fazendo hoje \u00e9 inverter essa discuss\u00e3o, gerando uma demanda firme para o mercado. A ideia \u00e9 que ter foco na demanda de cr\u00e9dito de carbono e, com isso, criar todo um ambiente que gere confian\u00e7a e que inicie esse processo\u201d<\/em>, afirmou Tereza Campello, esclarecendo que os restauradores interessados no programa n\u00e3o est\u00e3o obrigados a contratar empr\u00e9stimos com o banco p\u00fablico.<\/p>\n<h3>O mercado de carbono<\/h3>\n<p><br \/>O di\u00f3xido de carbono (CO2), tamb\u00e9m chamado de g\u00e1s carb\u00f4nico, \u00e9 um dos principais causadores do efeito estufa e contribui para aquecer a temperatura do planeta.<\/p>\n<p>O mercado de carbono consiste na compra e venda de cr\u00e9ditos para compensar passivos de polui\u00e7\u00e3o. Por exemplo, um projeto ambiental que refloresta \u00e1reas desmatadas ou preserva a natureza contribui para evitar que o CO2 n\u00e3o chegue \u00e0 atmosfera \u2013 \u00e9 o chamado sequestro de carbono.<\/p>\n<p>Esse sequestro de carbono se transforma em cr\u00e9dito que pode ser negociado. Na outra ponta do mercado, empresas que mant\u00eam atividade econ\u00f4mica que contribuem para a emiss\u00e3o de CO2 podem comprar os cr\u00e9ditos, realizando assim uma compensa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Em dezembro do ano passado, foi sancionada a Lei 15.042, que regula o mercado de carbono no Brasil.<\/p>\n<h3>Disruptivo<\/h3>\n<p><br \/>Na opini\u00e3o do diretor de Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica e Sustentabilidade da Petrobras, Maur\u00edcio Tolmasquim, o projeto \u00e9 um \u201cmecanismo disruptivo para o setor ambiental\u201d e tem entre suas vantagens o fato de garantir horizonte de longo prazo para os interessados em restaurar a floresta.<\/p>\n<p><em>\u201cLeva cinco, dez anos para a floresta estar pronta para gerar os cr\u00e9ditos. Enquanto o investidor faz isso, ele n\u00e3o sabe o pre\u00e7o do cr\u00e9dito daqui a cinco anos. Se ele participa de um leil\u00e3o, j\u00e1 sabe o valor e pode montar o seu fluxo de caixa\u201d<\/em>, declarou.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil como o Nature Investment Lab (NIL) e o Instituto Clima e Sociedade (ICS) contribu\u00edram para elaborar o projeto com informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>Mercadante disse que haver\u00e1 empresa especializada para certificar a gera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito de carbono. <em>\u201cO nosso desenho \u00e9 uma certificadora em parceria p\u00fablico e privada\u201d<\/em>, adiantou. Magda Chambriard acrescentou que, al\u00e9m de garantir a demanda para gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito de carbono, a Petrobras espera \u201cfazer dinheiro\u201d com a iniciativa.<\/p>\n<p><em>&#8220;O cr\u00e9dito de carbono \u00e9 como se fosse uma a\u00e7\u00e3o, eu posso comprar e vender&#8221;<\/em>, esclareceu. <em>&#8220;N\u00e3o precisa encarteirar esse t\u00edtulo em 25 anos. Ela entra agora, compra e, em seguida, pode vender para o interessado, porque esse mercado, se organizando, cada vez vai ter mais liquidez e mais interesse&#8221;<\/em>, completou Mercadante.<\/p>\n<h3>Tolmasquim<\/h3>\n<p><br \/>A presidente da Petrobras comentou a situa\u00e7\u00e3o do diretor Mauricio Tolmasquim, refer\u00eancia em assuntos ligados a energia, especialmente transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Tolmasquim foi indicado para participar do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Eletrobras, empresa privada que atua na gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p>Perguntada se h\u00e1 conflito de interesses, Magda respondeu: <em>\u201cVamos ver ainda\u201d<\/em>. Ela afirmou, contudo, que os investimentos na \u00e1rea de sustentabilidade v\u00e3o continuar \u00e0 risca. \u201cFaz parte do nosso planejamento estrat\u00e9gico.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Magda Chambriard, o or\u00e7amento para transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica nos pr\u00f3ximos cinco anos \u00e9 de US$ 16,2 bilh\u00f5es, representando 15% do capex (dinheiro reservado para investimentos) da empresa. Ela refor\u00e7ou que a Petrobras espera atingir em 2050 o chamado net zero (saldo negativo de emiss\u00e3o de carbono) na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valor pode chegar a R$ 1,5 bilh\u00e3o; BNDES financiar\u00e1 projetos<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":15687,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15686"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15686"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15686\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15689,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15686\/revisions\/15689"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}