{"id":18537,"date":"2026-02-27T09:44:52","date_gmt":"2026-02-27T12:44:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/?p=18537"},"modified":"2026-02-27T09:44:53","modified_gmt":"2026-02-27T12:44:53","slug":"do-impulso-ao-planejamento-a-virada-silenciosa-do-consumo-no-supermercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/do-impulso-ao-planejamento-a-virada-silenciosa-do-consumo-no-supermercado\/","title":{"rendered":"Do impulso ao planejamento: a virada silenciosa do consumo no supermercado"},"content":{"rendered":"\n<p>O consumidor brasileiro est\u00e1 passando por uma transforma\u00e7\u00e3o clara no seu comportamento de compra. A l\u00f3gica do impulso perde for\u00e7a, enquanto o planejamento ganha protagonismo, impactando diretamente o tamanho do carrinho, o ticket m\u00e9dio e as estrat\u00e9gias do varejo supermercadista.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a n\u00e3o significa menos consumo, mas sim mais racionalidade, seletividade e compara\u00e7\u00e3o, exigindo do varejo novas abordagens em sortimento, pre\u00e7o, experi\u00eancia e fideliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs compras por impulso seguem presentes, mas com menor frequ\u00eancia, reflexo de um comportamento natural, por\u00e9m cada vez mais controlado\u201d, explica Patr\u00edcia Andrade de Oliveira e Silva, professora de Economia da ESPM, \u201dAinda temos cerca de 60% dos brasileiros que compram por impulso, mas a queda da frequ\u00eancia e o aumento do planejamento refletem um desejo coletivo de viver com menos excessos, e somado a isso, temos o peso dos gastos extras no in\u00edcio do ano, que limitam a capacidade de consumo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No ponto de venda, esse novo perfil se traduz em mais compara\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, marcas e escolhas mais objetivas, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o das compras em m\u00faltiplas visitas, favorecendo miss\u00f5es mais planejadas. O consumidor n\u00e3o deixou de ir ao supermercado, mas mudou a din\u00e2mica da jornada.<\/p>\n<p>Para Pedro Venturini, Country Manager da BARE International Brasil, o brasileiro est\u00e1 mais racional e disciplinado. \u201cA alta de pre\u00e7os e da taxa de juros reduziu o espa\u00e7o para compras por impulso, e hoje o consumidor prioriza o essencial, pesquisa mais e justifica melhor cada gasto\u201d, diz. \u201cO carrinho ficou menor, mas a reposi\u00e7\u00e3o passou a ser mais frequente\u201d, explica.<\/p>\n<p>Tal comportamento aumenta o fluxo nas lojas, mas reduz o t\u00edquete m\u00e9dio por visita, exigindo do varejo promo\u00e7\u00f5es mais inteligentes, estrat\u00e9gias de frequ\u00eancia e um sortimento mais enxuto e eficiente.<\/p>\n<h3>Categorias mais impactadas<\/h3>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do t\u00edquete m\u00e9dio \u00e9 mais evidente em categorias consideradas n\u00e3o essenciais ou substitu\u00edveis. Venturini destaca quedas em limpeza, higiene, snacks, bebidas alco\u00f3licas e itens de indulg\u00eancia. \u201cA renda comprimida pela infla\u00e7\u00e3o e a facilidade de compara\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os nessas categorias pesam bastante; j\u00e1 os produtos de primeira necessidade mantiveram volume, mas com migra\u00e7\u00e3o para op\u00e7\u00f5es mais baratas\u201d, observa.<\/p>\n<p>Para Cynthia Guimar\u00e3es, gerente de Contas da Worldpanel by Numerator, o consumidor equilibra economia e indulg\u00eancia, mas de forma mais estrat\u00e9gica. \u201cO valor percebido se tornou protagonista., e o consumidor mant\u00e9m produtos premium na cesta, muitas vezes optando por embalagens menores, enquanto ajusta outras categorias para caber no or\u00e7amento\u201d, pontua.<\/p>\n<p>As compras de abastecimento ganham relev\u00e2ncia, com cestas menores e mais assertivas, o que eleva a import\u00e2ncia da execu\u00e7\u00e3o no PDV, do sortimento adequado e da ativa\u00e7\u00e3o comercial precisa.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o mix de produtos passa por ajustes importantes. Tamanhos econ\u00f4micos convivem com embalagens menores, marcas pr\u00f3prias ganham espa\u00e7o e a premiumiza\u00e7\u00e3o acontece de forma seletiva, em que a g\u00f4ndola precisa ser mais did\u00e1tica, destacando pre\u00e7o por unidade e comparativos claros.<\/p>\n<p>Cynthia complementa que estrat\u00e9gias variam por categoria: enquanto alimentos, bebidas e limpeza se beneficiam de tamanhos menores para viabilizar marcas premium, higiene e beleza avan\u00e7am com embalagens maiores, valorizando custo-benef\u00edcio e performance.<\/p>\n<p>Com o consumidor mais sens\u00edvel a pre\u00e7o, equilibrar competitividade e rentabilidade \u00e9 um dos grandes desafios do varejo. Automa\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o eficiente de categorias e negocia\u00e7\u00f5es mais estrat\u00e9gicas com a ind\u00fastria s\u00e3o apontadas como caminhos. \u201cMargem vem das marcas premium e categorias de maior giro; competitividade, das marcas econ\u00f4micas e pr\u00f3prias. \u00c9 preciso calibrar elasticidade e evitar descontos generalizados\u201d, destaca Venturini.<\/p>\n<p>Para Andrea Sylos, CEO da TCC Brasil, a resposta n\u00e3o est\u00e1 apenas no pre\u00e7o. \u201cO consumidor est\u00e1 mais planejado, mas n\u00e3o menos emocional. A conex\u00e3o com o varejista e as a\u00e7\u00f5es de fideliza\u00e7\u00e3o seguem sendo decisivas para estimular escolhas, aumentar recorr\u00eancia e elevar o gasto mensal\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O consumidor mais planejado tende a permanecer, ainda que haja uma recupera\u00e7\u00e3o gradual do consumo, pois para os especialistas, se trata de uma mudan\u00e7a estrutural, com compras fragmentadas atingindo um limite e exigindo estrat\u00e9gias cada vez mais orientadas por dados.<\/p>\n<p>Andrea refor\u00e7a que a fideliza\u00e7\u00e3o deixa de ser diferencial e passa a ser parte central da estrat\u00e9gia. \u201cQuando o cliente se sente reconhecido e a experi\u00eancia \u00e9 consistente, o pre\u00e7o deixa de ser o \u00fanico fator de decis\u00e3o, e o varejo passa a ocupar um espa\u00e7o de prefer\u00eancia\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Fonte: Super Varejo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais compara\u00e7\u00e3o, menos excessos e escolhas cada vez mais racionais alteram o mix, a din\u00e2mica do PDV e as estrat\u00e9gias comerciais do varejo alimentar<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":18538,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18537"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18537"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18537\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18539,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18537\/revisions\/18539"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.confere.org.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}